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2014-08-06 | Gaza: Querem fazer do território uma «fábrica de desesperados»

Patriarca latino de Jerusalém alerta: chega «pouca ajuda concreta e eficaz» do exterior e é necessário fazer mais do que colocar mensagens na internet

Lusa/Gaza, procura de sobreviventes nos destroços
Lusa/Gaza, procura de sobreviventes nos destroços

Jerusalém, Israel, 04 ago 2014 (Ecclesia) – O patriarca Latino de Jerusalém, D. Fouad Twal, alerta que o embargo à Palestina e as condições de vida em Gaza transformam o território numa "fábrica de desesperados", onde cresce "o medo e a frustração que alimenta o ódio”.

“A trégua iniciada e em andamento é uma coisa boa, mas não servirá se as condições de Gaza permanecerem como uma terra desesperada sob assédio, onde podem crescer somente medo e a frustração que alimentam o ódio. Parece que estão a querer fazer de Gaza uma fábrica de desesperados, destinados a transformarem-se facilmente em fundamentalistas prontos a tudo”, disse D. Fouad Twal.

Para o patriarca Latino de Jerusalém é necessário “remover” as condições que alimentam o ódio cego a partir do embargo, mas “também os túneis construídos em Gaza” que “são de alguma forma um produto de embargo”.

“Se colocarem fim a este assédio, se abrirem as estradas e se permitirem a liberdade de movimento das pessoas e mercadorias. Se for permitida a pesca no mar diante de Gaza, então tudo poderá mover-se à superfície e ninguém terá necessidade de cavar túneis de passagem subterrânea”, observou o responsável católico.

Entrevista à Agência Fides, do Vaticano, D. Fouad Twal destacou que de 70% das vítimas “são mulheres e crianças” e que a “perversa e cega vontade de aniquilar o inimigo” está a transformar a população civil de Gaza “numa vítima sacrifical”.

Devido ao elevado número de mortos, entre os palestinianos, o patriarca Latino de Jerusalém interroga-se porque é que o Hamas, “entre tantos túneis, não tenha pensado em construir refúgios subterrâneos para as pessoas”.

Sobre as reações internacionais, expressas através de mensagens e cartas de solidariedade aos cristãos e ao povo que sofre no Médio Oriente, D. Fouad Twal agradece mas destaca que existe “pouca ajuda concreta”.

“Nós fazemos o que podemos com a Cáritas e os recursos do Patriarcado, mas do exterior vemos chegar pouca ajuda concreta e eficaz. Não bastam mensagem e declarações colocadas na rede para dizer: estamos com vocês”,declarou.

sítio online do Patriarcado Latino de Jerusalém informa também que D. Fouad Twal regressou a Jerusalém depois de três semanas nos Estados Unidos da América onde foi recebido na Casa Branca, pelo chefe de gabinete e conselheiro do Presidente Barak Obama.

À chegada foi visitar os feridos do conflito no Hospital Francês das Irmãs de São José e no hospital islâmico Al-Makassed, no Monte das Oliveiras, por não se poder deslocar à Faixa de Gaza onde a pequena paróquia católica, “como todo o resto da população de Gaza”, tem necessidade de “apoio físico e moral para se refazer do luto, da guerra e da pressão do exército israelita como do Hamas”, desenvolvem.

Fonte: Agência Ecclesia

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