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2010-11-22 | Homilia da Celebração Eucarística do Encerramento do 50 anos presidida por D. Gilberto, Bispo de Setúbal
 
Encerramento das Comemorações dos 50 anos do Santuário Cristo Rei
21 de Novembro de 2010, na Solenidade de Cristo Rei
 

Homilia da Celebração Eucarística presidida por D. Gilberto, Bispo de Setúbal
 
 

Nesta grande Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, encerramos a comemoração dos 50 anos da inauguração do Monumento a Cristo Rei. Comemoração a que se ligou o Santo Padre com o envio de um legado, com as palavras no 'Angelus' e com a mensagem na visita a Portugal.

Bendigo a Deus pela solicitude do Santo Padre e pela presença do episcopado e de todos os participantes nas celebrações. Não esqueço a graça da presença da imagem de Nossa S.ra de Fátima da Capelinha das Aparições no auge das comemorações, pela alegria que nos trouxe e pelo apelo a centrarmos o coração em Jesus. Dou ainda graças por todos os que contribuíram para o brilho das comemorações, cuidadosamente conduzidas pelo Reitor do Santuário.

Saúdo-vos, caros fiéis, que aceitastes participar na celebração hodierna acompanhados pela imagem da Imaculada Conceição de Vila Viçosa que está connosco para nos ajudar a acolher o mistério de Cristo Rei, ela que é a primeira de todas as criaturas a participar da realeza de Jesus Cristo e ser modelo de fé e de discípulo. Saúdo de forma especial o sr. Núncio, o Sr. Vereador em representação da Câmara, o Sr.Vigário Geral, o clero, o Seminário de Almada e o senhor Reitor.

A imagem de Cristo, do topo do Monumento, como disse o Santo Padre, estende os braços ao país como que a lembrar a cruz:

- “onde Jesus obteve a paz do universo e se revelou rei e servo, porque Salvador do mundo”;

- onde Jesus quer dizer a cada pessoa que a ama por si mesma e que quer estar sempre ao seu lado na luta pela felicidade, pois, Deus tanto amou o mundo, 'que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que crê nele não se perca mas tenha a vida eterna ' Jo. 3, 16;

- onde Jesus, como diz o prefácio, consumou o mistério da redenção e ofereceu ao Pai “um reino eterno e universal de vida, verdade, santidade, graça, justiça e amor”e dele nos fez participar;

- onde Jesus disse ao ladrão arrependido e o continua a repetir a quem nEle crê:' hoje, estarás comigo no Paraíso'; ou ainda :'vinde a mim os que andais cansados que Eu vos aliviarei;

- onde aparece o triunfo dos pobres, mansos, puros, pacíficos, dos que sofrem por amor da justiça, dos que cumprem a Palavra de Deus e onde se lê a derrota de quem não é justo, pacífico, recto ou solidário.

A imagem de Cristo, no alto do monumento, convida noite e dia ao acolhimento do amor, da vida, da esperança que Deus quer dar a todos os homens. Durante as comemorações, demos graças a Deus por Jesus e pelos fiéis que nos legaram o Santuário; contemplámos o Amor de Cristo Rei; e agora, no encerramento da comemoração, confio-vos, peregrinos, ao cuidado de Cristo Rei e confio o Santuário de Cristo Rei a cada peregrino, servindo-me das palavras de Bento XVI em Lisboa:

“seja (o Santuário), cada vez mais, lugar para cada fiel

rever como os critérios do reino estão impressos na sua vida de consagração baptismal,

fomentar a construção do amor, da justiça e da paz com intervenções na sociedade a favor dos pobres e oprimidos,

centrar a espiritualidade das comunidades cristãs em Cristo, Senhor e Juiz da história.”

São desafios importantes e actuais para todos nós.

O desafio da centralidade de Cristo. Jesus, Deus feito homem, é o coração da fé, da moral cristã e da Liturgia; é o coração da Igreja e do mundo como dizia a carta aos colossenses há pouco proclamada: “Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; porque n’Ele foram criadas todas as coisas (...) e n’Ele tudo subsiste. Ele é a cabeça da Igreja, que é o Seu corpo.

Ele é (...) o primogénito de entre os mortos. Aprouve a Deus (...) por Ele reconciliar consigo todas as coisas.” Col 1,15-20. É urgente re+descobrir e dar o primeiro lugar a Jesus pois é n'Ele que tudo se entende na Igreja. Quando a relação de amor e seguimento de Jesus é forte, a igreja (e o cristão) também o é, mas se é débil, a igreja (e o cristão) perde vitalidade. Sendo Jesus centro da Igreja , também o é do mundo de tal modo que só n'Ele o homem encontra resposta às grandes perguntas: quem é o homem, donde vem, para onde vai, que fazer para alcançar a vida em plenitude?

Depois vem o desafio de redescobrir a graça baptismal como mistério pelo qual Deus torna o baptizado, com o dom do Espírito, participante da condição de filho de Deus própria de Jesus e da sua condição sacerdotal, real e profética de tal modo que o cristão está capacitado para viver no mundo a vida nova que Jesus inaugurou. Mas, esta participação na condição filial de Jesus pede que o cristão aprenda diariamente a viver sempre e em tudo guiado pelos critérios da realeza de Jesus, de que as bem-aventuranças são uma bela expressão, estando no mundo sem ser do mundo, como luz e fermento.

O terceiro desafio é o de fomentar a construção do amor, da justiça e da paz com intervenções na sociedade a favor dos pobres e oprimidos. Este desafio vem no seguimento das intervenções de Jesus em favor dos doentes, dos pobres, dos pecadores, dos aflitos até ao limite da vida e daquilo que nos disse: 'como Eu fiz, fazei vós também'. À luz das palavras e do exemplo de Jesus , todos somos chamados a colaborar na construção dum mundo mais justo e fraterno, a defender os pobres e aflitos, a combater a pobreza e a exclusão social e a dar ao mundo Jesus, fonte do amor, da verdade, da justiça e da esperança necessários à superação da crise actual.

Por fim, o desafio que o Santo Padre enuncia em primeiro: o desafio de tornar o Santuário, mais e mais, um lugar (uma pequena Igreja) para todos os cristãos e, de modo especial, para os mais afastados, onde a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo vivo na Igreja nasce, cresce e é purificada.

Todos somos chamados a amar o Santuário e também a ser um Santuário vivo, isto é, pedras vivas do santuário espiritual, mostrando com a vida que o encontro com Cristo Rei gera pessoas repletas do amor do Coração de Jesus e animadas pelos critérios do reino de Jesus Cristo: reino de justiça e amor, de verdade, liberdade e paz.

Todos somos ainda chamados a fomentar as peregrinações ao Santuário e a contribuir para que se torne, mais e mais, lugar de encontro com Jesus, de descoberta da Igreja, de atenção aos pobres e doentes, de leitura orante da Bíblia, de alegria e esperança de modo que quem vem à procura de belas paisagens seja ajudado a descobrir, por elas, a beleza e a sabedoria de Deus-Amor.

Que Nossa Senhora, que hoje veio em peregrinação a Cristo Rei com o título de Imaculada Conceição de Vila Viçosa como tinha feito Nossa Senhora de Fátima, nos acompanhe nesta peregrinação e nos ajude a escutar a palavra de Seu divino Filho e a comungar o Seu Corpo com tal disposição que cresçamos no desejo de, mais e mais, peregrinar até ao encontro com Cristo no Céu e de, na comunhão da Igreja, levar a humanidade ao encontro de Cristo Rei e Senhor do Universo.

+ Gilberto, Bispo de Setúbal 21/11/2010

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