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2012-07-12 | Portugal: Igreja precisa dos artistas

Arquiteto Nuno Teotónio Pereira recebeu prémio «Árvore da Vida» 2012 e lembrou injustiças sociais

SNPC| D. Pio Alves entrega a Nuno Teotónio Pereira a escultura ‘Árvore da Vida’, de Alberto Carneiro

Lisboa, 11 jul 2012 (Ecclesia) - O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais afirmou hoje em Lisboa que a Igreja em Portugal precisa do “contributo dos artistas” e das suas realizações “de sentido e de beleza”.

“Sem os artistas a expressão do mistério de Deus seria mais pobre, e o homem seria um estrangeiro de si mesmo; sem os artistas a Igreja ver-se-ia privada de uma linguagem expressiva, para muitos a única linguagem ainda inteligível”, frisou D. Pio Alves na sessão de entrega do Prémio ‘Árvore da Vida’ 2012 ao arquiteto Nuno Teotónio Pereira.

A cerimónia, realizada na sala de conferências da igreja do Sagrado Coração de Jesus (1970), classificada como Monumento Nacional e de que o premiado foi coautor, contou com a presença dos outros dois bispos pertencentes à Comissão Episcopal que acompanha o setor da Cultura, D. João Lavrador e D. Nuno Brás, bem como de D. Januário Torgal, bispo das Forças Armadas e de Segurança.

Perante cerca de uma centena de pessoas, D. Pio Alves salientou que o Prémio ‘Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes’ traduz “uma dívida de gratidão” que a Igreja em Portugal tem por Nuno Teotónio Pereira e pela sua geração, “pelo nível a que elevaram o diálogo entre a Fé e a Cultura”.

“Devemos-vos igualmente o testemunho do que pode ser a presença cristã no meio do mundo, uma presença afável e de serviço, uma presença profética e comprometida, de quem se sabe chamado a ser ‘sal’ e ‘luz’”, apontou, citado pelo site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

Nuno Teotónio Pereira, de 90 anos, recebeu um cheque de 2500 euros, patrocinado pela Renascença, e uma peça do escultor Alberto Carneiro.

Nas suas palavras de agradecimento, o arquiteto referiu ter tido a “sorte de trabalhar num período muito favorável”, ao contrário de hoje.

“Como estamos penosamente a assistir, vivemos numa época de grande dificuldade para os arquitetos. Angustia-me ver muitos colegas sem trabalho e ateliers de arquitetura a fechar por falta de encomendas”, alertou.

A arquitetura da habitação social contribuiu para que Nuno Teotónio Pereira se mantivesse atento “às desigualdades extremas de rendimentos, que infelizmente se verificam hoje muito fortemente em Portugal”.

“É preciso lutar contra essas injustiças”, frisou o arquiteto, que lançou um apelo ao inconformismo diante da crise económica em Portugal, que faz “muitas pessoas sofrer”.

O Movimento de Renovação da Arte Religiosa de que Teotónio Pereira foi o primeiro presidente, apareceu numa “altura difícil” para os artistas, nas décadas de 50 e 60 do século XX, dado que o regime ditatorial quis condicionar a criatividade.

A luta contra a ditadura, “perante a qual a Igreja era muitas vezes indiferente”, e a pertença ao grupo dos denominados “católicos progressistas”, foram também referidos por Nuno Teotónio Pereira.

No encontro participou também o padre e poeta José Tolentino Mendonça, diretor do SNPC, instituição que atribui o prémio em nome da Igreja Católica em Portugal.

“A estatura ética e criativa de Nuno Teotónio Pereira representam uma lição de humanidade para todos nós e uma luz oportuníssima para pensar o lugar e o modo da Arquitetura reinscrever-se no presente e no futuro”, sublinha a justificação do júri.

Fonte: Agência Ecclesia

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