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2012-06-20 | Cultura: Igreja distingue Nuno Teotónio Pereira

Arquiteto recebe prémio «Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes» 2012 pela sua «estatura ética e criativa»

D.R. | Nuno Teotónio Pereira

Lisboa, 19 jun 2012 (Ecclesia) - O arquiteto Nuno Teotónio Pereira é a personalidade escolhida pela Igreja Católica em Portugal para receber o «Prémio Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes» de 2012, atribuído pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC).

“Num momento nacional dramático para a Arquitetura, profissão que tem sido duramente flagelada pela crise económica, pensamos que a estatura ética e criativa de Nuno Teotónio Pereira representam uma lição de humanidade para todos nós”, assinala a declaração do júri, hoje divulgada pela página do SNPC na internet.

Os responsáveis pela entrega do galardão entendem que o trajeto de Teotónio Pereira, de 90 anos, oferece “uma luz oportuníssima para pensar o lugar e o modo da Arquitetura reinscrever-se no presente e no futuro”, destacando a "arte e a dimensão moral" do seu percurso de vida.

“Não estava à espera”, afirmou o arquiteto em declarações ao SNPC ao reagir à escolha da Igreja Católica, que o vai distinguir com o prémio no valor de 2500 euros, patrocinado pela Rádio Renascença, e uma escultura de Alberto Carneiro.

O anúncio foi feito esta tarde, durante as Jornadas Pastorais do Episcopado, que decorrem em Fátima.

O SNPC evoca as “preocupações sociais” como “um dos traços da vida de Nuno Teotónio Pereira, coautor da igreja do Sagrado Coração de Jesus” (1962-1970), em Lisboa, classificada como monumento nacional.

“Sou contra as injustiças sociais, haver tanta gente pobre, tanta desigualdade nos rendimentos. Esta desigualdade sempre me impressionou muito e sempre achei que a Igreja devia lutar mais contra isso”, declarou o arquiteto lisboeta.

Nuno Teotónio Pereira foi preso pela PIDE em 1967, 1972 e 1973, tendo sido libertado da prisão de Caxias após o 25 de abril de 1974; é membro honorário da Ordem dos Arquitetos desde novembro de 1994 e doutor ‘Honoris Causa’, pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto desde 2003.

A declaração do júri recorda ainda que o premiado foi um dos fundadores e primeiro presidente do Movimento para a Renovação da Arte Religiosa (MRAR), organização que “daria um contributo decisivo à receção, por parte da Igreja portuguesa, do espírito do Concílio Vaticano II [1962-1965], vindo a constituir uma página histórica e exemplar no necessário diálogo entre a Fé e a Cultura”.

O júri do prémio teve a seguinte constituição: D. João Lavrador, membro da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; cónego João Aguiar, presidente do Conselho de Gerência da Rádio Renascença; António Vaz Pinto, diretor da Revista “Brotéria”; Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura; Maria Teresa Dias Furtado, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que se fez representar; José Tolentino Mendonça, diretor do SNPC.

A sessão de entrega do Prémio Árvore da Vida, inicialmente marcada para esta sexta-feira, em Fátima, no decorrer da 8.ª Jornada da Pastoral da Cultura, foi adiada para data e local a anunciar, devido ao estado de saúde de Nuno Teotónio Pereira.

Nas edições anteriores, o prémio «Árvore da Vida-Padre Manuel Antunes» distinguiu o poeta Fernando Echevarria, o cientista Luís Archer, o cineasta Manoel de Oliveira, a professora de Estudos Clássicos Maria Helena da Rocha Pereira, o político e intelectual Adriano Moreira, o trabalho de diálogo entre Evangelho e Cultura realizado pela Diocese de Beja e, em 2011, o compositor Eurico Carrapatoso.

Fonte: Agência Ecclesia

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